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Limpando o Brasil -2

sexta-feira, fevereiro 17th, 2012

 

 

Quem viver – verá. E as crianças e adolescentes atuais viverão – se Deus quiser.

A constitucionalidade afirmada da “Lei da Ficha Limpa”, ontem no Supremo Tribunal Federal, modifica – de fato – o país.  Surge uma nova forma de democracia – um recado claro ao pretenso candidato de que, primeiro, ele deve resolver o seu problema com a Justiça –  e somente depois, se ileso, poderá  decidir sobre os outros, o coletivo.  Somente NÃO queira cuidar da sociedade, quando houver dúvidas sobre sua moralidade.

No centro do debate, uma lei de iniciativa popular.  No contexto, uma fissura na presunção de inocência,  que nunca foi e nunca será absoluta.  No meio de tudo, a Justiça dizendo o direito.

Otimismo demais…??  Pode ser. Precisamos acreditar no HUMANO.

Boa sorte, Brasil.


Limpando o Brasil

quinta-feira, fevereiro 16th, 2012

 

 

Em 16 de fevereiro de 2012, o Brasil pode ficar mais ético. Com a palavra final, o Supremo Tribunal Federal, e a validade da “Lei da Ficha Limpa” .  Saiba mais, aqui


Fala o guardião

quinta-feira, junho 16th, 2011

O Supremo Tribunal Federal, o guardião da Constituição, decidiu que as marchas da maconha são permitidas e, implícito, com os limites de não ocorrer a apologia ao uso da droga, que é crime. Ou seja, a polícia pode intervir se houver o uso de droga ou a incitação  ao seu uso.  É   tal da liberdade de reunião e de expressão onde, na democracia, todos podem dizerem (quase tudo) o que quiserem e expressarem (quase tudo) o que quiserem…  E agora alguém (ou alguns) tem a garantia da publicidade grátis… ao que, antes, era o proibido. Avançamos? Retrocedemos?  Com a palavra o Tempo, o senhor da razão.


Nós, os juízes

quinta-feira, março 3rd, 2011

O texto abaixo está na Folha de São Paulo, de hoje. A autoria é de Luiz Fux – clique e, no portal da UERJ, vá em depoimentos e depois em Luiz Fux.   


Cumpre ao juiz combater o farisaísmo, desmascarar a impostura, proteger os que padecem e reclamar a herança dos deserdados pela pátria



Outono de 1982. Sete horas da manhã. Beijo a minha esposa, que fazia a mamadeira da nossa primeira filha, e dirijo-me à praça 15 para pegar a barca com destino a Niterói; minha primeira comarca. Acabara de ser aprovado no concurso da magistratura.
Verão de 2011, dia 3 de março, beijo a minha família, agora integrada pelo meu primeiro neto, e preparo-me para ingressar no recinto do Supremo Tribunal Federal para ocupar a 11ª cadeira, vaga. Fui nomeado para a mais alta corte do país. Um sonho realizado, que me leva às lágrimas enquanto escrevo.
A presente digressão, longe do ufanismo, revela testamento de fé aos juízes de carreira; esses nobres trabalhadores que dedicam suas vidas ao mais alto apostolado a que um homem pode se entregar nesse mundo de Deus: a magistratura.
Os juízes, na tarefa árdua de julgar as agruras da vida humana, suas misérias e aberrações, devem ser olímpicos na postura, na técnica, na independência e na sensibilidade, além da enciclopédica formação cultural que se lhes exige.
São altos e raros os predicados que o povo espera de seus juízes: nobreza de caráter, elevação moral, imparcialidade insuspeita, tudo envolto na mais variada e profunda cultura. Os juízes têm amor à justiça: enfrentam diuturnamente com a espada da deusa Têmis o conflito entre a lei e o justo, tratam os opulentos com altivez e os indigentes com caridade.
Nesse mister, assemelhado às atividades sacras, cumpre ao juiz substituir o falso pelo verdadeiro, combater o farisaísmo, desmascarar a impostura, proteger os que padecem e reclamar a herança dos deserdados pela pátria.
O símbolo da justiça plena, ajustada a esses nobres magistrados brasileiros, é a vinheta com que o editor Paolo Barile homenageou Piero Calamandrei na sua obra “Eles, os Juízes, Vistos por um Advogado”. A vinheta era composta de uma balança com dois pratos, como todo equipamento semelhante. Num deles havia um volumoso código; noutro, uma rosa; ela, a balança, pendia mais para o prato em que se debruçava a flor, numa demonstração inequívoca de que, diante da injustiça da lei, hão de prevalecer a beleza, a caridade e a poesia humanas.
Assim são os juízes do meu país, essa pátria amada, Brasil, que acolheu meus ancestrais exilados da perseguição nazista, esse Brasil que é o ar que respiro, o berço dos meus filhos e do meu neto e, infelizmente, o túmulo de meu querido e saudoso pai, que merecia viver esse meu momento que se aproxima.
Senti-me no dever de transmitir aos juízes de carreira do meu país que é possível alcançar o sonho que nos impele dia a dia a perseguir a nossa estrela guia.
Senhores juízes brasileiros! Lutem incessantemente pelos seus ideais, porque eu, nessas horas que antecedem a minha posse, acredito que a vida é feita de heroísmos.
Agradeço o estímulo espiritual que me emprestaram com a força do pensamento de que agora era a nossa hora: a dos juízes de carreira.
Pronto. Chegou a hora. A Banda dos Fuzileiros Navais acabou de entoar o nosso hino nacional, vou emocionado para o “juramento de fidelidade à Constituição Brasileira”, não sem antes deixá-los, nas palavras de Chaplin, uma última mensagem: “É certo que irás encontrar situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva que cai, e não a faceta do raio que destrói.
Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar à perfeição.
A juventude precisa de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água que rola e o coração necessita de afeto.
Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás, mas vá em frente, pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te”.


LUIZ FUX toma posse hoje como ministro do Supremo Tribunal Federal.